domingo, 22 de agosto de 2010

Sempre o outro

          A auto-compreensão tem me abandonado. Entendo o mundo, me atrevo a decifrar o pensamento de cada um que passa por mim. Antes de uma palavra, lá estou eu... Pronta a ouvir tudo que supostamente já sei e que talvez não saiba nada, atenta a questionar cada trecho de pensamento ainda que não manifestado a mim.
          Que direito eu tenho de fazê-lo? Quem sou eu para tentar decifrar a mente alheia se nem mesmo a minha se deixa ser entendida? A explicação me falta.
          E no confuso momento de tentar entender o outro, sempre o outro, e a minha linha de raciocínio parece estar absolutamente de acordo com os fatos, o meu eu pede socorro e um pouco mais de atenção: “Ei, estou aqui... Basta desses ‘outros’! Preciso saber quem sou.” É aí que a realidade entra cena, toma conta do palco e tenta me fazer perceber que eu deveria estar antes do ‘outro’, que meus interesses são mais importantes que os do ‘outro’ e que não dá mais pra continuar interpretando apenas o pensamento dos ‘outros’.
          O ser humano é complicado. Por que a incapacidade de ouvir o que nós mesmos temos a nos dizer? É simples... Não foi o ‘outro’ que disse, não é mesmo?
          E ao passo que acredito saber tudo sobre todos, eu não sei nada. Nada de nada!

Lorena de Souza Rocha

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